O problema: 25 anos de LIMS e uma avalanche
René Blok, Global Analytical Development Manager da Bunge, usa uma palavra para descrever o volume de dados analíticos da empresa: avalanche. Depois de 25 anos gerindo resultados de ensaio em LIMS tradicional, três forças se somaram ao mesmo tempo. A regulação apertou. Os equipamentos analíticos ficaram mais sofisticados e passaram a gerar muito mais pontos por amostra. E os clientes começaram a pedir um nível de transparência que antes não existia.
Qualquer laboratório de agroindústria brasileiro reconhece o quadro. Cada planta tem seu LIMS (ou sua planilha), seu método e sua versão da especificação. Quando o auditor ou o cliente pergunta como um parâmetro se comportou nos últimos doze meses, a resposta vira uma caça ao dado por e-mail. O laboratório passa a ser o passo limitante do time-to-market: estimativas de mercado apontam que até cerca de 80% do tempo de produção pode ficar esperando liberação de ensaio, e boa parte dessa espera não é o ensaio em si, é a papelada em volta dele.
O que a Bunge fez, segundo a Siemens
No relato publicado pela Siemens em 25 de agosto de 2026, a Bunge migrou do sistema legado Unilab (nome antigo do LIMS Siemens, hoje Opcenter Laboratory) para o Opcenter Research, Development and Laboratory (RD&L), a plataforma que reúne LIMS, gestão de especificações e formulação no portfólio Siemens Xcelerator. O objetivo declarado por Blok é direto: combinar tudo numa base analítica única e manter boa rastreabilidade.
"Não é só agir quando as perguntas chegam. É ter a prova, a tendência e toda a informação antes de as perguntas surgirem."René Blok, Bunge, no blog oficial do Opcenter (Siemens), 25/08/2026
Isso é a diferença entre conformidade e confiança. O laboratório que só reage ao auditor está sempre atrasado; o que já tem a tendência pronta lidera a conversa. A Siemens destaca três resultados:
Visibilidade global do dado. Uma base centralizada, começando por 4 sites de especialidades e expandindo por países e regiões, com leitura em tempo real das variações de qualidade entre operações.
Adesão de quem faz o trabalho. O ponto de que Blok mais se orgulha: o sistema foi abraçado pelo pessoal de bancada, de operações e de inovação. Quando o especialista da linha vê eficiência, a adoção não é imposta, é celebrada.
Preparo para o que vem. Novas técnicas analíticas geram exponencialmente mais dados; novas regulações aparecem sem aviso. A plataforma escala com isso mantendo custo e padrão de qualidade, o que Blok chama de "growing brilliant".
Um dado da própria Bunge ajuda a dimensionar a pressão: a empresa desenvolveu, com a Interscience, um método automatizado para análise de ésteres de 3-MCPD e glicidílicos que reduziu o tempo de relatório de dois dias para duas horas e virou padrão de indústria (ISO 18363-4:2021). Quando o ensaio fica 24 vezes mais rápido, o dado que ele gera precisa de um lugar à altura.
Por que isso importa para o Brasil: a leitura do Radar I4.0
A Bunge tem 100+ unidades em todas as regiões do país, cerca de 11.100 colaboradores e mais de 120 anos de Brasil, segundo dados oficiais da empresa. O case da Siemens é global, mas o perfil da dor é o da agroindústria brasileira inteira: óleos, grãos, açúcar, laticínios, proteína animal, todos com laboratório por planta e cliente exportador exigindo rastreabilidade. Três leituras se cruzam aqui.
Primeira: dado de laboratório virou ativo de governança. Não é mais registro de ensaio para fechar lote; é a prova que sustenta contrato de exportação, certificação e resposta a recall. Tratar isso como planilha é risco de negócio.
Segunda: a barreira de entrada caiu. Uma semana antes do case, em 18/08, a Siemens colocou o Opcenter Laboratory em SaaS na plataforma Opcenter X, com integração nativa a Teamcenter, Dotmatics e Opcenter MES Advanced e on-premise ainda suportado. O laboratório médio deixa de precisar de projeto de infraestrutura para começar.
Terceira: o valor multiplica quando o laboratório conversa com a produção. No mesmo 18/08, a Nucleus Research posicionou a Siemens entre os líderes da sua matriz MES 2026. Laboratório harmonizado que alimenta o MES automaticamente é o que tira a liberação de lote do e-mail e coloca no fluxo.
Do case ao chão de fábrica: onde a TDI entra
Case nenhum migra sozinho. Entre o relato da Siemens e o resultado na sua planta há trabalho de integração que a Bunge, no próprio texto, chama de parceria com a Siemens e com parceiros de serviço. É aí que a TDI trabalha, como integradora Siemens Xcelerator, do sensor ao ERP (N0 a N5).
1. Mapear métodos e especificações de cada laboratório. O que harmoniza entre plantas e o que fica variante local. Sem esse desenho, o sistema novo herda a dispersão antiga.
2. Migrar o histórico do LIMS legado sem perder rastreabilidade. Opcenter RD&L com especificação, formulação e LIMS na mesma base, para que a tendência dos últimos anos continue disponível no dia seguinte à virada.
3. Conectar o laboratório ao MES e ao ERP. Resultado de ensaio que chega ao Opcenter Execution sem e-mail, com a liberação de lote dentro do fluxo de produção, e visão de qualidade por planta no Insights Hub.
4. Treinar a bancada. A adesão que a Bunge celebra não vem de manual: vem de o técnico ver o ensaio andar mais rápido e o dado aparecer onde ele precisa.
A TDI conhece esse terreno por experiência direta: implantamos Opcenter em operações de alimentos e agroindústria como Cargill e Caramuru, em bens de consumo como Unilever Vinhedo e em laboratório regulado como o da Biolab. Piloto que vira escala, com governança.
A prova
Todos os resultados da Bunge descritos acima são relato da Siemens, publicado no blog oficial do Opcenter com autora e data; as fontes estão no fim do artigo. O post-fonte não traz números de ganho quantitativo, e nenhum foi inventado aqui. Os números institucionais da Bunge e o dado do método 3-MCPD vêm do site oficial da empresa. A estimativa de tempo de produção esperando o laboratório é referência de mercado usada pela vertical LIMS da TDI, não um número da Siemens nem da Bunge. A Bunge não é cliente da TDI. O que a TDI acrescenta é o método: diagnóstico do dado analítico, harmonização de especificações, migração do legado e integração MES/ERP.
Próximo passo
Se o seu dado analítico ainda mora em um sistema por planta, o case Bunge é um bom pretexto para rever o desenho antes que a próxima auditoria vire caça ao dado. Conheça o Opcenter RD&L que a TDI implanta ou fale com a engenharia da TDI.
- Siemens Digital Industries Software, blog Opcenter: Feeding the world, one data point at a time: how Bunge mastered the "data avalanche", Claudia Basso, 25/08/2026
- Siemens Digital Industries Software, blog Opcenter: Introducing Opcenter X Laboratory: Streamlined Lab Management with SaaS, Eric Mitchell, 18/08/2026
- Siemens Digital Industries Software, blog Opcenter: Siemens recognized as a leader in Nucleus Research's 2026 MES Technology Value Matrix, Alessandro Cereseto e Metin Kaplan, 18/08/2026
- Bunge Brasil, site oficial: colaboradores, unidades e anos de Brasil (dado consolidado em 31/12/2025)
- Bunge Brasil, Qualidade e Segurança dos Alimentos: método automatizado 3-MCPD com a Interscience, ISO 18363-4:2021
- Siemens, Opcenter RD&L (Opcenter Laboratory, ex-SIMATIC IT Unilab)