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Indústria Brasil 16 ago 2026 6 min de leitura

Só 5% da indústria brasileira investiu em automatização. E o problema não é a máquina.

A CNI publicou o retrato mais desconfortável do parque fabril brasileiro: três em cada quatro fábricas compraram equipamento novo em 2025, e quase ninguém comprou a camada que faz esse equipamento falar. Máquina nova sem dado é mecanização com nota fiscal mais cara.

Só 5% da indústria brasileira investiu em automatização. E o problema não é a máquina.

O número

A Confederação Nacional da Indústria divulgou em 5 de agosto de 2026 a Sondagem Especial nº 105, com 599 empresas ouvidas entre 5 e 14 de janeiro sobre o investimento que fizeram em 2025. O primeiro resultado é bom: 74% das indústrias compraram máquinas e equipamentos novos. O parque está sendo renovado.

O resultado seguinte é o que muda a conversa. Entre quem investiu, o objetivo declarado foi mecanização em 72% dos casos, robotização em 9% e automatização em apenas 5%. E a CNI define automatização de forma bem específica: produção realizada a partir de máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados. Não é máquina com botão bonito. É máquina que fala (CNI, Sondagem Especial nº 105, 05/08/2026).

74%
compraram máquina nova
72%
miraram mecanização
9%
miraram robotização
5%
miraram automatização
Fonte: CNI, Sondagem Especial nº 105 (05/08/2026), 599 empresas ouvidas entre 5 e 14 de janeiro de 2026. Dados da CNI, não da TDi.

Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI, resume assim: “Os investimentos em máquinas e equipamentos que têm conexão com a internet, processamento em nuvens, etc. continuam tímidos. A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção.”

O que isso significa no chão de fábrica

Uma máquina mecanizada produz mais rápido. Uma máquina automatizada, no sentido da CNI, produz mais rápido e conta o que aconteceu enquanto produzia.

A diferença aparece na segunda-feira de manhã. A planta que só mecanizou tem capacidade nova e continua descobrindo a perda no fechamento do turno, pelo apontamento digitado, com três horas de atraso e a versão do operador sobre o que travou. A planta que automatizou sabe qual máquina parou, por quanto tempo, com qual código de motivo e o que aquilo custou em ordem não entregue, enquanto ainda dá tempo de agir.

É por isso que tanto CAPEX de máquina não aparece no indicador. O investimento comprou capacidade e não comprou visibilidade. E capacidade sem visibilidade tende a virar estoque em processo, retrabalho descoberto tarde e OEE que ninguém consegue comparar entre duas plantas do mesmo grupo, porque cada uma calcula de um jeito.

O recorte por porte diz o resto da história

A sondagem separa por tamanho de empresa. A automatização respondeu por 7% dos investimentos nas grandes indústrias, 4% nas médias e 2% nas pequenas.

Vale ler esse número com calma, porque a leitura óbvia está errada. Não se trata de tecnologia indisponível para a média empresa: a camada de conectividade industrial roda em hardware que custa uma fração da máquina que a empresa acabou de comprar. Trata-se de método de projeto. A grande indústria tem time interno para especificar, integrar, testar e sustentar. A média não tem, então adia. E adiar parece prudente, até o concorrente conseguir responder uma cotação em dois dias.

O obstáculo declarado reforça isso: 61% das empresas apontam a incerteza econômica como principal trava ao investimento, seguida de queda de receitas e entraves tributários, ambos com 47%. Ninguém nesse cenário vai aprovar um programa de digitalização de três anos. O que passa na diretoria é projeto modular, com escopo fechado, retorno medido em uma linha e decisão de escalar tomada com número na mão.

A boa notícia: não precisa trocar o parque de novo

O erro mais caro que se comete depois de ler um dado desses é concluir que a fábrica precisa de um novo ciclo de investimento em máquina. Não precisa. Precisa de duas camadas sobre o que já está instalado.

Primeira camada, conectividade. É o papel do Siemens Industrial Edge, que se integra tanto a produção brownfield quanto greenfield usando conectividade multiprotocolo, e roda em IPCs SIMATIC, dispositivos IoT e SCALANCE, painéis HMI, hardware de terceiros certificado ou qualquer servidor como dispositivo de borda virtual. Na atualização de abril de 2026, a Siemens colocou o Industrial AI Suite em disponibilidade geral, liberou o WinCC Unified e o WinCC Open Architecture como Edge App e para o PLC virtual SIMATIC S7-1500v, e expandiu o Industrial Information Hub com fluxo bidirecional de dado entre a borda e os sistemas centrais de TI. O Industrial Edge Management 2.0 passou a suportar hipervisores como OpenShift e Hyper-V, o que permite rodar sobre a infraestrutura de TI que a empresa já mantém. Funções de segurança certificadas IEC 62443-4-2 e operação air-gapped estão previstas pela Siemens para o segundo semestre de 2026, e o instituto UL Solutions concedeu ao Industrial Edge e ao PLC virtual o selo Smart Systems Verified, Platinum (Siemens AG, release de 21/04/2026).

Traduzindo para a decisão de quem opera: dá para conectar um parque misto, com controlador de três fabricantes e idades diferentes, sem trocar o CLP e sem parar a linha para isso.

Segunda camada, execução com contexto. Dado bruto não decide nada. Sinal de máquina só vira gestão quando encontra a ordem de produção, o material, o lote, o turno e o padrão de qualidade. Essa é a função do Opcenter Execution Discrete e do Opcenter Execution Process, que amarram apontamento, genealogia, rastreabilidade e controle de processo, e do Insights Hub, que consolida disponibilidade, performance e qualidade em um OEE calculado do jeito certo, que finalmente significa a mesma coisa em duas unidades do mesmo grupo. E a camada de borda precisa nascer com o padrão de segurança que a edição sobre segurança OT deste Radar detalhou.

Como a TDi faz isso virar projeto

A TDi é integradora Siemens Xcelerator e trabalha o parque instalado, não o parque ideal. O método parte sempre do mesmo lugar.

1. Diagnóstico da camada de dado, não da máquina. O que cada ativo já expõe hoje, em qual protocolo, com qual confiabilidade. Boa parte do dado necessário já existe e ninguém coleta.

2. Uma linha piloto com indicador antes e depois. Escopo fechado, prazo curto, número comparável. É o que sustenta a próxima aprovação.

3. Padrão de arquitetura antes de escalar. Modelo de ativo, código de motivo de parada e cálculo de OEE definidos uma vez e replicados depois. Sem isso, a segunda planta vira outro projeto, e não uma cópia.

4. Governança e sustentação. Quem mantém, quem versiona, quem responde quando o dado para de chegar às três da manhã.

É esse desenho que transforma o número da CNI de constatação em plano: sair dos 5% não é comprar outra máquina, é dar voz à que já está lá.

O que fazer nas próximas semanas

Se a sua planta comprou equipamento em 2025 e o indicador não mudou, a pergunta certa não é qual máquina comprar agora. É esta: quantas das suas linhas ainda dependem de digitação para saber o que produziram?

Vale lembrar que existe crédito para isso. A linha Finep Inovacred 4.0 financia projetos de Indústria 4.0 em internet das coisas, computação em nuvem, big data, segurança digital, manufatura digital, integração de sistemas, robótica avançada e inteligência artificial, para empresas de Indústria e Agropecuária com receita operacional bruta anual de até R$ 300 milhões, operada por agentes financeiros credenciados. E a chamada B+P Smart Factory, do SENAI com o BNDES, recebe submissões até 12 de setembro de 2026.

O dinheiro existe. O parque existe. Falta a camada no meio.

Fontes
Diagnóstico da camada de dado

Quantas das suas linhas ainda dependem de digitação?

Uma conversa com a engenharia da TDi levanta o que o seu parque já consegue expor hoje, em qual protocolo e com qual confiabilidade, e desenha um piloto de uma linha com indicador antes e depois. Sem trocar controlador, sem parar a produção.

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