O problema não é produzir mais
Quando uma planta cresce, a conversa costuma começar pela capacidade: mais uma linha, mais um turno, mais uma máquina. O caso da Algist Bruggeman, publicado no blog Opcenter da Siemens por Claudia Basso em 02/10/2026, parte do argumento contrário. Segundo a Siemens, expandir a produção não foi a parte difícil. O difícil foi manter padrão de higiene, rastrear cada produto e permanecer flexível para pedidos de tamanhos diferentes, tudo isso com ERP, sistema de armazém (WMS) e equipamentos de produção operando como ilhas.
A Algist Bruggeman, na Bélgica, é membro do grupo Lesaffre e produz fermento fresco, líquido, instantâneo e seco ativo para panificação, cervejaria, vinificação e destilaria, com clientes no mundo todo. É uma operação de alimentos com requisito de higiene próximo ao farmacêutico, segundo o texto da Siemens.
As quatro dores, que você provavelmente reconhece
A Siemens descreve o cenário da fabricante em quatro frentes: higiene e qualidade em cada etapa; clientes exigindo rastreio de lotes específicos na fabricação e na distribuição; necessidade de atender pedidos de volumes variados; e sistemas de ERP e armazém desconectados do chão de fábrica. A quinta, mais silenciosa, é a consistência humana: garantir que todos os operadores sigam o mesmo procedimento em todos os turnos.
Nenhuma delas se resolve com mais capacidade. Todas se resolvem com informação que circula entre N0 e N4 da ISA-95: o que o ERP planejou, o que a máquina executou, quem operou e quando.
O que a Siemens e a Actemium montaram
Segundo a Siemens, a integradora Actemium não entregou um remendo isolado. Projetou uma instalação de envase dedicada, com estações de buffer para controle de qualidade, teste automático de vazamento para verificar a integridade da embalagem, QR code único por embalagem, gestão automatizada de estoque e câmeras que validam o rótulo e os dados impressos. Os registros de rastreabilidade alimentam uma plataforma blockchain, que guarda o histórico de forma imutável.
No centro, o Siemens Opcenter como camada MES. De acordo com a Siemens, ele faz a ponte entre o planejamento de negócio e o equipamento, converte metas em tarefas de operador e coleta dados em tempo real. O ponto técnico que importa: o MES registra cada evento com quem operou, em qual equipamento e em que instante. É esse registro que sustenta a auditoria e alimenta o blockchain.
"Em um setor regulado como alimentos e bebidas, precisão não é meta, é necessidade."Siemens, blog Opcenter, 02/10/2026, tradução nossa
O que muda quando o MES é a camada de integração
A lição não é "use blockchain". É que o MES, quando funciona como espinha dorsal, resolve três problemas de uma vez:
- Padrão: a interface orientada a tarefas conduz o operador passo a passo. A Siemens aponta menos erro humano e menos necessidade de treinamento repetido.
- Rastreabilidade por embalagem: o QR individual, amarrado ao registro de produção, troca a pergunta "em que lote pode ter acontecido?" por "qual unidade, em qual momento, com qual operador".
- Flexibilidade sem trocar de sistema: a Siemens destaca que a solução se ajusta sem substituição da plataforma, o que permite aceitar pedidos pequenos sem refazer o processo.
Vale ser claro sobre o limite da fonte: o texto da Siemens não divulga percentual de ganho, volumes nem prazo de implantação. O que ele entrega é o desenho da solução e o raciocínio. Por isso este post não promete número que a fonte não tem.
A tradução para a planta brasileira
No Brasil, o mesmo desenho encontra três pressões conhecidas: auditorias de cliente e de certificação (ISO 22000 e esquemas GFSI, como FSSC 22000), a obrigação de recolhimento de alimentos com comunicação à Anvisa (RDC 24/2015) e a convivência de ERP corporativo com equipamentos de gerações diferentes. Em todas, o custo de um desvio é definido pelo tempo entre perceber o problema e saber exatamente o que foi afetado.
É a lógica que a TDi, integradora Siemens Xcelerator no grupo PLMX, opera nas plantas: partir de um escopo pequeno e mensurável (uma linha, um fluxo de rastreio), provar valor e escalar com governança, cobrindo do N0 ao N5. O mesmo caminho vale para quem tem forte componente de processo e laboratório, como nos projetos de Unilever Vinhedo, Caramuru, Cargill e Biolab, onde a integração entre produção, qualidade e sistemas corporativos é o que sustenta a escala.
Três perguntas para fazer à sua operação
- Se um cliente pedir hoje o histórico de uma embalagem específica, em quanto tempo você responde, e com que grau de certeza?
- O ERP sabe o que o chão de fábrica fez, ou só o que estava planejado?
- O procedimento é o mesmo nos três turnos porque o sistema conduz, ou porque o supervisor lembra?
Se alguma resposta for "depende", o gargalo provavelmente está na integração, e não na capacidade.
Próximo passo
A TDi faz um diagnóstico de integração e rastreabilidade com escopo de uma linha, para mostrar onde o MES fecha a lacuna entre ERP, WMS e máquina. Agende o diagnóstico ou veja a plataforma Opcenter.
- Siemens Digital Industries Software, blog Opcenter: Algist Bruggeman, Getting integration right in the yeast industry with Opcenter, Claudia Basso, 02/10/2026.
- Siemens Digital Industries Software, blog Opcenter: Voice of MOM Partner Series, CDT e Siemens, Christian Wendt, 17/09/2026 (contexto da série).
- Anvisa, RDC 24/2015, recolhimento de alimentos: Perguntas e respostas sobre recolhimento de alimentos, gov.br/anvisa.
- ISO 22000:2018, Sistemas de gestão da segurança de alimentos.